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Grupo Mix: Melodia para a juventude

Confira entrevista com Fernando di Gênio, presidente do Grupo Mix de Comunicação

Bárbara Sacchitiello| » ENVIAR E-MAIL »

17 de Outubro de 2011 13:49

Formado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Fernando di Gênio é sobrinho do empresário João Carlos di Gênio, dono do Grupo Objetivo
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Formado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Fernando di Gênio é sobrinho do empresário João Carlos di Gênio, dono do Grupo Objetivo Crédito: Arthur Nobre

Seja nas ondas do rádio ou nos canais televisivos via UHF ou satélite, o Grupo Mix de Comunicação tem apenas um objetivo: falar para o público jovem, faixa etária que considera englobar desde os pré-adolescentes até aqueles que ouvem música para lembrar de momentos de sua juventude. Encabeçando a operação do Grupo Mix de Comunicação desde o seu início, Fernando di Gênio Barbosa empenha-se no projeto de fixar a plataforma Mix no gosto do público — e dos anunciantes —,independentemente do canal pelo qual a programação for acessada. Nesta entrevista, ele conta sobre os 15 anos da Mix FM, sobre a reformulação da Mix TV e adianta o lançamento de uma nova plataforma digital, que unirá música e televisão na internet.  

Meio & Mensagem ›› Quais são as operações do Grupo Mix no setor de comunicação? 

Fernando di Gênio ›› A área de comunicação do Grupo Mix é composta por uma rede de rádios, a Mix, líder no segmento de rádios jovens no Brasil. Estamos presentes em 32 cidades, nas principais capitais do País e há mais de quatro anos somos líderes no segmento jovem. Parte da programação da rádio é própria e parte é produzida pelas afiliadas, que são nossas parceiras locais. Também temos a Mix TV, que já existe há três anos e que atualmente cobre 120 municípios e, até o final de 2012, deve estar em 180 cidades. Hoje já cobrimos um terço dos municípios com TV e, no ano que vem, devemos chegar a 50%. E nossa terceira operação do grupo é a Mega TV, que são as emissoras focadas em programação local, mesclando jornalismo, prestação de serviços, entretenimento, saúde, beleza e moda, incluindo a participação de anunciantes locais. Temos essa operação em São Paulo, Campinas, São José dos Campos e Americana. E, por fim, há a Mix Digital, que integra todas as plataformas digitais do grupo. Possuímos cerca de 400 funcionários, entre apresentadores, operacional e produção. 

M&M ›› A Rede Mix de Comunicação faz parte da mesma holding do Grupo Unip-Objetivo, voltado ao segmento de educação (fundamental e universitária). Como é a administrar negócios tão diferentes em uma mesma companhia e em que nível esse pilar da educação acaba interferindo na rádio e na TV? 

Di Gênio ›› Na verdade, a nossa presença no setor de comunicação nasceu da ideia da educação à distância. A Mix Comunicação faz parte da holding que também administra os negócios da Unip e do Objetivo, que já existe há mais de 40 anos. Atualmente, essas redes têm um contingente de 500 mil alunos, em todo o Brasil, dos quais 240 mil no ensino superior e 260 mil matriculados na rede do Objetivo. Nossa afinidade com a área de comunicação deu-se porque, naquela época, já se imaginava a educação à distância por meio das mídias tradicionais de comunicação (rádio e TV). Com o advento da internet, da banda larga, nós fomos um pouco além, e montamos uma estrutura comercial e de entretenimento para esses canais de comunicação, deixando a educação à distância para a internet e por um sistema via satélite DTH (direct-to-home). E, além de presidir toda a área da comunicação (Rádio e TV), eu também cuido da área de divulgação e de comunicação das escolas. 

M&M ›› E há alguma linearidade no trato com o público estudantil (alunos) com o público-alvo (da Mix FM e da Mix TV)? 

Di Gênio ›› Obviamente essa identificação acontece, porque, de um lado ou de outro, estamos lidando com jovens. E existe, sim, uma união desses dois negócios do ponto de vista comercial. Utilizamos a nossa rede de escolas e colégios para ações presenciais e promocionais com nossos anunciantes. Isto acaba sendo um grande diferencial, pois não pensamos em ações para a rádio ou para a TV, mas sim em um pacote que faça com que a marca fique próxima do público, em todos os canais. Eles podem, por exemplo, ter um comercial na rádio, na TV, uma ação de blitz nas ruas, uma ação de sampling na universidade etc. Sempre trabalhamos com projetos integrados. 

M&M ›› Tanto na rádio como na televisão, a Mix sempre se focou no target jovem. No cenário atual da mídia, você considera mais difícil manter uma segmentação — e, de certa maneira, restringir o público-alvo — do que tentar atrair uma audiência mais abrangente? 

Di Gênio ›› Realmente, ser um veículo segmentado não é uma tarefa fácil. Por ter nascido da seara educacional, sempre esteve no DNA da Mix o trabalho com o público jovem. É com eles que sempre nos acostumamos a falar e foi para eles que desenvolvemos toda nossa essência e linguagem de rádio e televisão. Não é fácil ser uma empresa de comunicação de nicho, pois o público, sobretudo o jovem, se movimenta rapidamente e vai sempre atrás de novidades. Então, se você não apresenta um conteúdo atrativo, acaba perdendo o destaque. 

M&M ›› Salvo algumas poucas mudanças, a Rádio Mix praticamente não mudou seu estilo nos últimos 15 anos. A emissora conservou a programação pop e conseguiu manter a audiência. Por que a escolha dessa estratégia? 

Di Gênio ›› A Mix FM completa 15 anos agora em novembro e, há quatro anos consecutivos, ela lidera o segmento. Mas, considerando a somatória dos meses, a rádio já é líder há oito anos no target jovem. Na minha opinião, o segredo para isso é conseguir fazer uma mistura que agrade a todos os segmentos. Temos momentos de auge do rock, da música black, do reggae, do pop, do axé. Então, o segredo da Mix é saber sobreviver a todas essas fases de modas musicais, mantendo a mesma essência na programação, mas abrindo mais espaço para o que se quer ouvir naquele momento. 

O presidente segue no comando do Grupo Mix de Comunicação desde o começo de suas operações
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O presidente segue no comando do Grupo Mix de Comunicação desde o começo de suas operações Crédito: Arthur Nobre

 

M&M ›› E nesses 15 anos a maneira de se consumir música também mudou muito. Isso afetou a rádio? 

Di Gênio ›› Mudou radicalmente, mas acredito que sempre estivemos preparados para isso. Hoje, a maioria esmagadora dos nossos jovens já cresceu ouvindo música pelo computador, pela internet. Isso nos levou a várias adequações em nossa programação. Mudamos o perfil de público a ser atingido pela rádio e as questões de apresentação dela, para atrair as pessoas que consomem música, mas que fazem isso por outros meios. A Mix nunca teve uma mudança brusca de gênero musical. E nossas alterações, que fizemos ao longo do tempo, não foram percebidas. É preciso acertar o mix de programação e deixar a rádio sempre na “moda”, mas mantendo a mesma linha. 

M&M ›› E não foi apenas o consumo de música que mudou, mas também toda a indústria fonográfica e a relação das rádios com os artistas. Como vocês passaram por isso?  

Di Gênio ›› Vivenciamos bem essa fase. Antes, as gravadoras tinham um controle bem maior sobre os artistas e administravam a relação deles com as rádios. Hoje, o nosso contato direto é basicamente com as próprias bandas ou com seus empresários, o que alterou o nosso dia a dia. O que continua é a dependência destes com relação às rádios, para que as músicas tenham visibilidade e sejam divulgadas. 

M&M ›› Quem é o público-alvo da Mix FM? 

Di Gênio ›› Nosso público começa a partir dos 12 anos e vai até um pouco acima de 34 anos. A concentração do perfil da rádio, no entanto, está na faixa de 15 a 29 anos (que corresponde a mais de 50% da audiência). No passado, esse público já foi um pouco mais adulto e também um pouco mais jovem, de acordo com os estilos musicais e com o consumo de música. Tudo isso influencia no público ouvinte da rádio. 

M&M ›› A Mix FM também é bem conhecida por ter uma forte atuação na área de eventos. Como isso é tratado dentro do grupo? 

Di Gênio ›› A área de eventos é muito importante para o Grupo. Desde o início da rádio, promovemos shows anuais ou bianuais, que no início eram gratuitos, com doação de alimentos, de agasalhos, o que gerava um movimento muito grande dos ouvintes. Chegamos a ter shows para cerca de cem mil pessoas. Hoje ainda mantemos isso. Neste ano, o show da Rádio Mix na Arena Anhembi, o São Paulo Mix Festival, acabou sendo um show de todo o Grupo Mix, não só da rádio. Além dos shows, também somos muito forte em promoções, que fazemos com a audiência, como concursos de bandas, viagens para conhecer artistas, promoções de shows em escolas etc. O ouvinte espera essas promoções e o anunciante também pede isso. Nosso mais recente trabalho nesta área foi a participação oficial da Mix como a rádio oficial do Rock in Rio. Estivemos presentes em todo o evento, tendo como patrocinadores as marcas Nivea, HP, Claro, Volkswagen e Trident. 

M&M ›› No primeiro semestre de 2011, de acordo com os dados do Projeto Inter-Meios, o meio rádio teve uma ligeira queda em termos de faturamento publicitário. Vocês sentiram isso na Mix? 

Di Gênio ›› Percebemos essa queda, sim. Na verdade, há muito anos o meio rádio se mantém com uma fatia entre 4% e 4,5% do bolo publicitário. A internet já nos passou e ainda existe uma grande concentração das verbas na TV. A Mix sentiu essa queda de faturamento do meio rádio, mas é algo que deve mudar no último trimestre deste ano. Para 2011, temos uma previsão de crescimento entre 7% e 10% em comparação com o ano passado, em virtude dos nossos projetos integrados. Hoje, o Grupo Mix de Comunicação fatura cerca de R$ 110 milhões por ano – a rádio representa cerca de 25% desse número e o restante provém das televisões e da internet. 

M&M ›› Desde o final de 2010, vocês começaram a implementar várias mudanças na Mix TV. A que se deve esse investimento maior na área televisiva? 

Di Gênio ›› Isso aconteceu pela necessidade de se estabelecer como uma rede de TV voltada ao público jovem, com a espinha dorsal estruturada na música. Temos investido fortemente nisso e temos tido excelentes resultados de audiência e de aceitação por parte do público. Hoje temos mais de 70% da nossa grade já coberta com programação jovem: são 21 programas no ar e, em breve, esse número deve aumentar. Nossa audiência maior (65%) é composta por pessoas acima de 18 anos, da qual 92% desse público são das classes A e B. Estamos entrando em duas capitais do Nordeste: Recife e Fortaleza, o que também irá ampliar o alcance da TV. 

M&M ›› Vocês contrataram, inclusive, várias pessoas que trabalhavam na MTV Brasil. A ideia é se espelhar na concorrência? 

Di Gênio ›› Contratamos, sim, algumas pessoas da MTV, mas não nos consideramos concorrentes deles, pois achamos que a nossa amplitude é maior, tanto em termos de alcance como de programação. Queremos um mix de conteúdo e de programas que sejam atrativos para o jovem, mas que consiga ter uma sinergia com a rádio e, claro, sempre com a música como fundo.  

M&M ›› Nos últimos anos observamos um forte movimento de rádios customizadas por anunciantes. A Mix já recebeu alguma proposta de associação com alguma marca? 

Di Gênio ›› Na verdade, nós operamos uma rádio customizada no Rio de Janeiro (a Sul-América Paradiso), que é uma rádio musical direcionada ao público adulto, que também veicula informações gerais. Em breve pretendemos trazer essa operação também para a cidade de São Paulo. Já recebemos muitas propostas de customização para a Rádio Mix, mas não achamos interessante partir para esse movimento de entrega da rádio para uma marca. Isso não faz parte das nossas intenções, pois nos restringiria muito na atuação com os anunciantes e com os demais clientes. 

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Contratamos, sim, algumas pessoas da MTV, mas não nos consideramos concorrentes deles, pois achamos que a nossa amplitude é maior, tanto em termos de alcance como de programação. Queremos um mix de conteúdo e de programas que sejam atrativos para o jovem, mas que consiga ter uma sinergia com a rádio e, claro, sempre com a música como fundo. 

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M&M ›› E quais são as suas projeções para o grupo nos próximos anos? 

Di Gênio ›› Nosso plano é consolidar a liderança que já temos junto aos jovens, dando continuidade ao que fazemos, em todas as plataformas, seja TV, radio ou digital. Queremos explorar o nosso DNA como símbolo de público jovem, sendo vistos como uma plataforma de comunicação diferenciada, exclusiva, que oferece, também, múltiplas formas de contato para os anunciantes. Pretendemos continuar conquistando o público das classes A, B e C, que são nossos ouvintes e espectadores, em todas as plataformas, sobretudo na internet, onde logo teremos uma novidade. 

M&M ›› E qual é a novidade? 

Di Gênio ›› Para o início de 2012 preparamos algo diferente no mundo digital: a junção de rádio e TV, para os jovens, no ambiente online. Não se trata, entretanto, de montar uma web TV ou uma rádio na internet. É uma coisa bem mais ampla e com o estilo Mix de se comunicar com os jovens. Lançaremos essa plataforma no início do próximo ano e temos grande expectativa de sucesso. 

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