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18 de Abril de 2012 • 08:05
Ela nasceu no auge do movimento feminista, em 1961, e, desde o princípio, levantou a bandeira para discussões como aborto, pílula anticoncepcional, direitos no mercado de trabalho, independência e várias outras manifestações civis. Assim surgiu a revista Claudia. O Brasil vivia a expansão do capitalismo e as mulheres eram vistas como as principais consumidoras dos novos produtos industrializados, tornando-se, portanto, alvo de campanhas publicitárias. Com a seção A Arte de Ser Mulher (que durou de 1963 a 1985), assinada pela jornalista Carmen da Silva, a publicação da Abril foi pioneira em colocar uma mulher para falar com as mulheres. Carmen, por sinal, é considerada uma das precursoras do feminismo na imprensa brasileira. De lá para cá, o título ganhou fiéis leitoras que continuam enxergando a revista como uma amiga.
Tão duradoura amizade foi retratada em um vídeo produzido pela editora que circula entre o mercado anunciante e publicitário para comprovar a fidelidade das leitoras. Nele, algumas mulheres contam por que começaram a ler Claudia e o que a revista representa para elas na atualidade.
Aos 51 anos, a publicação alcança cerca de dois milhões de leitoras e apresentada novidades em sua marca.As reformulações têm como objetivo expandir a marca Claudia para novos segmentos, gerando mais oportunidades de negócios, assim como reforçar Claudia como a “marca que é porta-voz da mulher brasileira”, detalha Kaike Nanne, diretor do núcleo de comportamento da Abril. “A essência do nosso negócio implica em renovações frequentes”, explica. Ele salienta que a movimentação na revista não é um recálculo de rota, e sim o acompanhamento da evolução do público-alvo. Apesar de a revista ser focada na mulher/mãe acima de 35 anos, Nanne classifica o público conforme seus valores de vida. “De acordo com nossas pesquisas, 23% das nossas leitoras têm menos de 35 anos. E mais de 30% das leitoras não são mães. A leitora de Claudia, na verdade, é aquela que organiza sua vida a partir dos valores familiares”.
Na edição de março, o mercado já pode notar algumas modificações no editorial da revista. Não que ela tenha deixado de lado assuntos como sexo, saúde e beleza. Eles continuam preenchendo as páginas da revista e prestando o serviço ao qual as leitoras estão acostumadas. Mas as reportagens passam a ficar mais longas e apuradas. Foi o caso da entrevista com Eliana Calmon, corregedora do Conselho Nacional de Justiça, responsável pela investigação de juízes corruptos no Brasil.
Kaike Nanne, diretor do núcleo de femininas da Editora Abril Crédito: Divulgação
Novo tamanho
Outra novidade é que o suplemento Comida & Bebida passa a ser uma seção fixa na revista, com o mesmo número de páginas, a partir do mês que vem. Segundo Nanne, a decisão abre espaço para projetos especiais de culinária e gastronomia. Com isso, mais as reportagens com mais fôlego, a revista ganha mais páginas e mais densidade. A revista muda também a gramatura do papel utilizado, de LWC 55g para 70g, e ressurge em novas dimensões: 208x274 mm, o mesmo formato da revista Lola.
O digital é mais um lado a receber novidades. Será feito o lançamento da TV Claudia na web, com programas de até três minutos sobre variados assuntos. O forte da programação da TV, assim como no site, será nas datas especiais. O endereço na internet será ambientado em festas e comemorações como Dia das Mães, Dia das Crianças e outras datas.
Para divulgar as mudanças, a Abril aposta na interação pelas redes sociais e também em ações publicitárias, como filmes para TV, peças para internet, campanhas impressas e materiais de ponto de venda. A agência que vai criar a comunicação ainda não foi definida.
Plataformas e licenciamento
Uma das marcas da revista é o Prêmio Claudia, que desde 1996 consagra diversas mulheres brasileiras que fizeram diferenças em suas respectivas áreas. A edição de 2012, que tem patrocínio da Natura e acontece em 8 de outubro, em São Paulo, vai premiar em seis categorias: ciências, cultura, negócios, políticas públicas, trabalho social e categoria especial consultora Natura Inspira. Os Fóruns Claudia pela Mulher Brasileira também constituem uma plataforma que atrai mulheres interessadas em ouvir e debater temáticas variadas. O evento já está em sua quinta edição pelo Brasil.
Em relação a licenciamentos, a Claudia fechou parceria com a Electrolux para ter dois produtos: uma geladeira com tela touchscreen (que oferece receitas da seção Comida & Bebida) e um micro-ondas. Aproveitando a onda de compras de brasileiros nos Estados Unidos, a Claudia lançou ainda o Miami Shopping Tour. É uma oferta de viagem guiada com a “amiga Claudia” para aproveitar os melhores lugares de compras e serviços pela cidade. O pacote é vendido em parceria com a CVC e terá a participação das editoras da revista.
Há mais um novo projeto de Claudia. É o Ame sua Vida, em parceria com O Boticário. “Estamos sempre levantando a bandeira das mulheres com os assuntos que estão em pauta. Percebemos, com nossas pesquisas, que o atual dilema da mulher é que ela não consegue dar conta de tudo que tem de fazer”, conta Nanne. Marido, filhos, trabalho, amigas, diversão, corpo, saúde... são vários compromissos que as mulheres colocam como metas e ficam extremamente insatisfeitas se não conseguem cumprir uma delas perfeitamente. Esse é o diagnóstico obtido pela Editora Abril.
“Não tem solução para isso. Não é possível ser multitarefa”, argumenta o diretor. Por isso, o projeto — que vai contar com várias vertentes, entre elas fóruns de discussão, stand-up comedy e reportagens especiais — pretende mostrar às mulheres que são elas que fazem as escolhas e se comprometem, mas que nem tudo precisa ser perfeito.