Em Pauta - Marketing & Negócios
Um filme de R$ 16 milhões
O longa-metragem "Lula, o filho do Brasil", de Fábio Barreto, entra em circuito comercial com forte estratégia de lançamento. Para sua distribuição e promoção, foram investidos R$ 4 milhões, um quarto do total empregado para viabilizar a produção que não teve lei de incentivo cultural
Maior lançamento da história recente do cinema brasileiro, o longa-metragem "Lula, o filho do Brasil", dirigido por Fábio Barreto ("O quatrilho", de 1995, candidato ao Oscar de filme estrangeiro) tem estreia no dia 01 de janeiro em mais de 500 salas pelo País. É uma estratégia no melhor estilo arrasa-quarteirão. Feita com linguagem popular, a produção vem sendo apontada como uma grande promessa de bilheteria, talvez até a maior já obtida por um filme nacional (o recorde pertence a "Dona Flor e seus dois maridos", com 12 milhões de espectadores).
Independentemente de quanto o longa irá arrecadar em 2010, o filme chama atenção por ter sido produzido sem uso de lei de incentivo cultural. Ele retrata os primeiros anos de Luiz Inácio Lula da Silva, atual presidente da República, e o início de sua trajetória como líder sindical. Para concretizar o projeto idealizado por Luiz Carlos Barreto, fundador da LC Barreto (produtora que viabilizou mais de 80 filmes), foi decidido que o filme teria de buscar recursos com empresas privadas. "Não seria adequado usar o dinheiro público para contar a vida do presidente Lula, apesar de estarmos realizando um produto cultural", declara.
"Lula, o filho do Brasil" é uma produção de R$ 16 milhões, o que o torna o filme mais caro do cinema brasileiro - antes dele, "Dois Filhos de Francisco", com seus R$ 13,5 milhões, detinha esse posto. Para a produção em si (o que vai do desenvolvimento do roteiro até a finalização), foram empregados R$ 12 milhões. Para a campanha do lançamento e mais as cópias do filme (são 500, o permite exibição em torno de 600 telas), foram reservados mais R$ 4 milhões.
Patrocínio
Segundo a produtora Paula Barreto, foram praticamente dois anos correndo atrás de patrocinadores - o que impediu o filme de ser concluído antes. A primeira empresa a aceitar o desafio de apoiar um longa-metragem sem leis de incentivo foi a EBX. "Eike Batista foi o primeiro a aceitar. Isso foi no início de 2008. Foi uma batalha e acho que conseguir fechar os patrocinadores foi um processo demorado", conta a produtora. Ela lembra que as companhias que apoiaram o filme analisaram o roteiro porque não queriam vínculos com a política. Apenas com a história do personagem principal, Lula.
De acordo com Luiz Carlos Barreto, uma das reações mais comuns quando a proposta era levada às empresas era a pergunta "mas por que sem lei de incentivo?", uma surpresa já que é muito raro encontrar longas, entre outras produções culturais, que não recorram a essa estratégia. Outro filme que foi 100% financiado pela iniciativa privada e sem necessitar de uma lei como a Rouanet foi "A grande família".
"O sucesso desse filme será primordial para mostrar que é possível financiar pelo menos 50% de uma produção sem partir para as leis de incentivo. O Brasil está longe do modelo americano, que utiliza bastante o product placement", observa Paula. No filme, surgem veículos da Volkswagen, cerveja Brahma e um prédio do Senai, algumas das empresas patrocinadoras do filme.
Na lista dos patrocinadores estão ainda Camargo Corrêa, GDF Suez, OAS, Odebrecht, Hyundai, Souza Cruz, Grupo JBS, Neoenergia, Estre Ambiental, CPFL, Grendene e Oi. A Nextel entrou como apoio.
Polêmicas
O lançamento de "Lula, o filho do Brasil" gerou controvérsias por acontecer em ano eleitoral. Mas Carlos Eduardo Rodrigues, diretor da Globo Filmes, que coproduziu o filme, explica que um longa-metragem tem duas boas épocas para entrar no circuito comercial: janeiro e agosto, período de férias. Como o filme de Fábio Barreto não poderia ficar pronto em agosto de 2009, optou-se por janeiro de 2010. "Se ele fosse lançado em agosto de 2010, seria pior. Não agradaria muita gente", argumenta.
Outra polêmica foi a respeito dos patrocinadores - algumas das companhias têm projetos com a administração federal. Paula Barreto rebate as críticas ponderando que 50% dos R$ 12 milhões captados para a produção vieram de empresas do setor, como Globo Filmes e Canal Brasil (que deverá exibir o filme na TV dez meses após a estreia no cinema). A Globo Filmes, por exemplo, antecipou uma verba que normalmente seria entregue depois. Paula afirma ainda que 80% dos patrocinadores já foram parceiros em filmes anteriores. "E 100% têm histórico de investimento cultural", acrescenta.
Fábio Barreto
O diretor de "Lula, o filho do Brasil" sofreu um grave acidente de carro na noite de 19 de dezembro e teve traumatismo craniano. Ele se encontra em coma induzido.
Ainda em dezembro, dias antes do acidente, Barreto disse em encontro com jornalistas, que o longa-metragem era sua produção mais madura. Contou ainda que o filme foi difícil de fazer. "Tive de medo e insegurança". Elogiou o elenco como um dos pontos fortes da produção - Glória Pires interpreta Lindu, a mãe de Lula, que é representado na telona por Rui Ricardo Diaz, um estreante no cinema. "Tenho muito orgulho do filme. É um sonho realizado".
Perguntado sobre as acusações de uso político, o diretor foi enfático: "Não tive nenhuma intenção nesse sentido. É uma produção cinematográfica. É entretenimento. Nosso povo tem direito a um audiovisual de qualidade. Não me afeta a crítica de uso político. O filme vence tudo isso".







Comentários
Segunda-feira - 04/01/2010 | h02:19 claudine bailly
Concordo. É o FIM DA PICADA. Um absurdo.
Quinta-feira - 24/12/2009 | h10:20 Fábio Zanetti
A Globo Filmes tem muito a ganhar apoiando o atual presidente, até porque tem dividas enormes com o Banco Central. O SENAI é uma Instituição SEM FINS LUCRATIVOS, mantida com incentivos fiscais. O filme é uma propaganda descarada e desleal em época de eleições. BOICOTE E PIRATARIA NELES!!!!