Em Pauta - Marketing & Negócios

Pipoca para microondas é associada a doença pulmonar

Embora fabricantes já conhecessem há três anos os efeitos do ingrediente diacetyl, os riscos para a saúde não foram divulgados para proteger as vendas da indústria

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Por Cibele Santos
12 de Setembro de 2007 às 11:06

No começo deste mês, a maior fabricante de pipoca para microondas do mundo, ConAgra Foods Inc., assim como a General Mills Inc., a Weaver Popcorn, a American Pop Corn Co. e outras empresas que respondem coletivamente por 80% das vendas do produto anunciaram com grande alarde a suspensão do uso de um elemento químico, chamado diacetyl, dado que o ingrediente, responsável pelo sabor amanteigado da pipoca, estaria relacionado a uma grave e intratável doença dos pulmões - a "bronchiolitis obliterans", que reduz a capacidade respiratória a 16% ou 21% (comparados aos 80% da capacidade normal) e que só pode ser eliminada via transplante do pulmão.

O problema, denunciado pela Associated Press no começo deste mês, é que essas empresas conheciam a toxidade do diacetyl desde 2005, e, apesar das centenas de casos documentados de bronchiolitis obliterans entre operários das fábricas de pipoca - daí a expressão usada nos círculos médicos, "popcorn worker's lung" (pulmão de quem trabalha com pipoca) -, sonegaram a informação dos consumidores por receio do impacto sobre as vendas da indústria.

Omissão
O diacetyl foi identificado nos EUA em 2002 por cientistas do Centers forDisease Control and Prevention (CDC), e em 2004 o National Institute for Occupational Safety and Health o associou a um surto de bronchiolitis obliterans entre centenas de operários de seis fábricas de pipoca do país. No ano seguinte, a Environmental Protection Agency (EPA) completou uma pesquisa comprovando os efeitos maléficos da substância, mas o acesso aos resultados só foi liberado para os fabricantes sob o pretexto de que o estudo deveria ser melhor examinado por outras entidades.

Na verdade, revelou recentemente a rede de jornais Cox Newspapers, que teve acesso a centenas de páginas da pesquisa, o silêncio da EPA foi apenas uma resposta a um pedido feito em 2004 pela Weaver Popcorn e outros fabricantes, preocupados com os "danos irreparáveis" que os resultados preliminares poderiam causar se divulgados (o receio é justificado: segundo estatísticas da indústria, nos últimos 13 meses os americanos consumiram nada menos que 345 toneladas de pipoca feita em casa).

Em julho de 2005, no entanto, um operário de uma fábrica de Missouri que contraiu a doença recebeu US$ 2,7 milhões de indenização por ter contraído a doença, um caso que provavelmente deixará de ser isolado agora que a omissão está sendo amplamente divulgada.

Segundo as autoridades médicas dos EUA, a bronchiolitis obliterans - à qual são particularmente suscetíveis os trabalhadores jovens do sexo masculino, saudáveis e não fumantes - não deve ser confundida com outra desordem pulmonar de nome semelhante, a "bronchiolitis obliterans organizing pneumonia" (BOOP).

Comentários
  • Quarta-feira - 19/09/2007 | h11:27 Samantha Jones

    São só as pipocas americanas que utilizam este diacetyl? ou devemos nos preocupar tb com as pipocas brasileiras? Esta ação das empresas é criminosa e deveria ser denunciada em todas as mídias!!! Cada vez mais vemos que quanto mais "evoluimos" menos a vida humana tem importância. Sempre acredito que podemos melhorar, mas confesso que a notícia me desnorteou. Se a violencia e a banalidade dos tiros a esmo já nos assustam e deixam perplexos, imaginem agora isso!!! MORRER POR PIPOCA... OU MELHOR POR GANÂNCIA... se bem que este é um pecado e um crime antigo da humanidade :-(


  • Terça-feira - 18/09/2007 | h11:18 Adriano Daltro Schröer

    Duvido que haja alguma empresa no mundo que iria agir diferente frente a uma questão semelhante nos seus produtos. Reflexo deste sistema capitalista baseado amplamente no consumo. "Faz mal" - não importa. Não podemos perder vendas, desestabilizar o mercado, etc... Precisamos de novos paradigmas de vida e de novos paradigmas de consumo. Onde fica a publicidade em meio a isso?


  • Segunda-feira - 17/09/2007 | h10:40 Andréia Brasil

    nao quero mais comer dessa pipoca... to com medo


  • Quinta-feira - 13/09/2007 | h07:26 Ari Hollaender

    Notícia insana e comentários mais insanos ainda..


  • Quinta-feira - 13/09/2007 | h10:11 Luiz Henrique Nascimento

    E como ficam as pessoas que acreditam na mídia. Avós e netos que alugam um filme e compram a pipoca de microondas? Eles deveriam pensar que possuem compromisso com essas pessoas. Eu me alimento de produtos naturais, mas nem todos da minha família se importam com isso, eles acreditam na mídia. E então, como fica nossa responsabilidade com eles? Afinal, são os produtos que invadem a casa dos consumidores todos os dias, no rádio, TV, etc. Deveriam pelo menos respeitar a vida deles em troca.


  • Quinta-feira - 13/09/2007 | h09:40 Mayra Andressa

    E viva os alimentos naturais! Nunca ouvi falar de alguém que morreu por comer verduras, legumes e frutas! Claro que cultivadas com os devidos cuidados!


  • Quinta-feira - 13/09/2007 | h08:02 Rodrigo Sene

    Caro Carlos, não devemos responsabilizar as multinacionais de doenças e desordem em nossas vidas simplesmente porque "no mundo em que vivemos é quase impossível" consumir tais produtos. O consumismo não deve maior que a necessidade. Devemos pelo menos tentar...


  • Quinta-feira - 13/09/2007 | h06:50 Carlos Roberto de Carvalho Cardozo

    Infelizmente, este é apenas um caso divulgado. Quantos mais estão sendo encobertos em nome de interesses econômicos? Na dúvida, evitar ao máximo os produtos industrializados seria a melhor solução mas, no mundo em que vivemos, isso está sendo quase impossível. Só nos resta contar com a sorte.




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