Em Pauta - Marketing & Negócios

Sujar as ruas: nova "tendência" do marketing

Grandes marcas estão usando como ferramenta de marketing de guerrilha pichações e cartazes lambe-lambe.

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Por Dubes Sônego
23 de Janeiro de 2007 às 18:58

A Prefeitura de São Paulo ainda nem deu conta de retirar das ruas todos os outdoors e peças de mídia exterior proibidas pelo projeto Cidade Limpa e já começa a se deparar com outro tipo de poluição visual, que pode vir a ser bem mais nocivo. No afã de ser posicionarem como inovadoras e lançadoras de tendências, grandes marcas estão usando como ferramenta de marketing de guerrilha pichações e cartazes lambe-lambe. As peças não trazem suas marcas explicitamente, mas integram de alguma forma ações de marketing, sendo apresentadas às autoridades e consumidores como arte urbana ou conteúdo.

Há poucas semanas, a Sagatiba, fabricante da cachaça de mesmo nome, colou cartazes lambe-lambe e pichou imagens do cantor e compositor Seu Jorge, em São Paulo e no Rio de Janeiro. O artista é responsável pela música Eterna Busca, que cita a cachaça e foi usada em campanha da empresa.

Na segunda-feira, 22, foi a vez da fabricante de aparelhos celulares Motorola anunciar à imprensa, através de nota, que uma das ações que pretende realizar durante a São Paulo Fashion Week (SPFW), com início programado para esta quarta-feira, 24, é a colagem de dois mil cartazes "que encobrirão os locais mais charmosos" da capital paulista, e a instalação de 200 latas de lixo, "que ganharão roupagem nova".

O roteiro inclui a região dos Jardins, Higienópolis, Vila Madalena, Vila Mariana, Vila Olímpia, Itaim, Ibirapuera/Moema, Cerqueira César, as ruas Oscar Freire e Consolação, além das alamedas Lorena e Franca. Segundo a empresa, todo o material da "Guerrillapaper", como foi batizada a ação, será retirado das ruas em duas semanas.

Questionada sobre a ação, a empresa afirma que não teme prejuízos à imagem da marca por causa da colagem dos cartazes. Os argumentos são os seguintes: Primeiro, o material é arte. Criadas pelo designer americano Joshua Davis, as estampas dos cartazes foram inspiradas em caleidoscópios e não trazem a marca Motorola. Segundo, os dois mil cartazes seriam "muito poucos" e restritos à "algumas ruas e lugares" de São Paulo. E, por fim, a empresa teria solicitado e recebido autorização da Secretaria de Cultura da capital para realizar a ação, através de sua agência especializada em ações do gênero, a inglesa Jack Liberties - coincidência ou não, a Jack Liberties também tem no portfólio ações para a Sagatiba.

"A Motorola pensa sempre à frente, buscando novas tendências. Por isso, queremos oferecer conteúdo personalizado para que as pessoas possam colocar dentro de seus celulares", diz Andréia Vasconcelos, gerente de marketing da Motorola.

Apesar de não trazerem a marca Motorola, os cartazes exibem estampas que, depois, podem ser baixadas através de sites da marca. O material também foi usado como inspiração e subsídio para a construção da decoração do estande da marca na SPFW e ilustrará cartões postais distribuídos em bares, restaurantes e hotéis da cidade, durante o período do evento, fazendo o link com a Motorola. "Estamos ambientando locais esquecidos de grandes cidades - a ação está programada para acontecer, posteriormente, em Londres, Berlim, Paris, Milão, Cidade do México, Buenos Aires, Johannesburgo e Mumbai - com imagens que possam gerar curiosidade. Depois, revelamos de forma diferenciada que é a Motorola que está por trás do projeto", diz a executiva.

Procurada desde segunda-feira, 22, para confirmar se de fato deu autorização para que fossem colados os cartazes da ação patrocinada pela Motorola, a Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo não respondeu à reportagem de Meio & Mensagem.

Comentários
  • Quinta-feira - 25/01/2007 | h12:25 jorge carrero

    Lamentável é o que se passa nas salas de marketing das empresas. A pobreza de criatividade e de boas ações comerciais está em ascensão. As verbas( e são cada vez mais volumosas) de mkt têm sido muito mal usadas. Lembram da 'promoção' Red Bull na desgraça do Metrô? Pois é... O que se entende é o seguinte: Leis que amparam e protegem o meio ambiente já tem de sobra... O desrespeito às leis e às instituições é uma verdade luminosa. A impunidade é que faz com que maus profissionais ajam contumazmente para a degradação da publicidade - outrora mais apaixonantes e respeitadas( O Duda e o Valério foram maus exemplos para a classe). É uma pena!


  • Quinta-feira - 25/01/2007 | h12:38 vitor santos

    Incrível, todos exultantes com a remoção dos outdoors.. Da podridão das fachadas que se revelam por detrás, entretanto, ninguém se dá conta. Se nosso problema é a decadência visual da cidade, devemos nos preocupar com o dna da arquitetura que vive por detrás dela. Os outdoors até que dão uma melhorada, por enquanto..bem a cara do Brasil, né? haja hipocrisia.. Ah! e vcs acham que nosso prefeito fez isto porque é um cara muito legal, né? Parabéns Motorola!


  • Quarta-feira - 24/01/2007 | h03:05 Doroti Costa

    Quanta energia jogada fora! Quem é que vai dizer o que é arte, o que é bom gosto? Pixar então pode! Pode pixar parede, rua, prédio, tipo o prédio da estação da Luz, ou do Museu do Ipiranga? Tive uma bruilhante idéia: fazer uma campanha para um fabricante de refrigerantes, dos gigantes, pois têm dinheiro a rodo: Usar o Obelisco e o Cristo Redentor como base para um grafitti bem artístico! Por apenas duas semanas pintar uma mensagem subliminar nos monumentos. Depois remove.... se ficar qualquer marquinha.... ah! depois virão outros mesmo! Porque as pessoas t|êm idéias tão puluentes e tanta falta de respeito com o próximo? Por dinheiro?


  • Quarta-feira - 24/01/2007 | h01:01 Francisco Gomes

    Aqui em Salvador a midia exterior funciona muito bem e fica em consonância com a cidade. Isso graças a regulamentação e forte fiscalização feita há vários anos. Placas e empenas nos lugares certos, na quantidade certa... Viva!


  • Quarta-feira - 24/01/2007 | h12:26 Ale Frata

    Tem gente que gostou. Lamentável!!! Na minha opinião é uma mídia de mau gosto e ignorante. Aliás, as grandes empresas tem deixado muito a desejar em termos de comunicação. Mais uma vez. lamentável!!!!


  • Quarta-feira - 24/01/2007 | h12:25 Cesar Bergamo

    É muito triste ver alguns partidários da mídia exterior se baseando em uma notícia que, de certa forma, critica a atitude dessas empresas para arranjar um motivo para defender a mídia exterior. Acho maravilhoso que os outdoors, empenas e elefantes brancos do tipo sejam retirados da cidade. Todas as grandes cidades civilizadas e desenvolvidas no mundo não possuem mais esse tipo de publicidade e foram surgindo alternativas extremamente criativas para a exploração de uma mídia extremamente útil, que é a mídia exterior. O Brasil está começando esse processo de transformação agora e é natural que se cometam erros até que se chegue ao ponto ideal. Porém, uma coisa não temos como discordar, a cidade está ficando muito mais bonita e limpa sem os horríveis outdoors e empenas. Para esses que ainda defendem uma prática que suja a cidade fica a pergunta: Porque não trataram de legalizar e regulamentar o setor, ao invés de ficar explorando indiscriminadamente a cidade?


  • Quarta-feira - 24/01/2007 | h10:38 Carlos Barbosa

    AOS AMIGOS, TUDO. AOS INIMIGOS, A LEI. NESTE CASO A 14.223. VIROU PUTARIA. O PROJETO VITRINE / TRAMPOLIM CIDADE LIMPA É PURA PERSEGUIÇÃO COM AS EMPRESAS DO SETOR DE MIDIA EXTERIOR. É APOIADO POR VÁRIOS SETORES DA MIDIA QUE ENTRARAM NA ONDA DE LIMPEZA E SÓ OUVEM UM LADO DA QUESTÃO. SOCORRO!!!!!!!


  • Quarta-feira - 24/01/2007 | h10:29 Cissa Rodrigues

    Ué pixar pode??? Vou pedir para a Secretaria da Cultura deixar eu colar uns outdoors, aliás desenvolver minha arte nos outdoors através de grafite para grandes marcas. Assim consigo comercializar para grandes multinacionais a cultura destes artistas. Lambe-lambe não suja a cidade?? Ah esqueci.... também não paga impostos ou TFA como os outdoors pagavam. Assim que uma empena é retirada, fica uma enorme parede que será pixada em no máximo 2 dias. Então o caminho é a secretaria da Cultura, legal... bom saber disto. Faça-me um favor viu!!!


  • Quarta-feira - 24/01/2007 | h10:19 Carlos Bellini

    A poluição visual nas grandes metrópoles não acabará nunca, seria muito mais eficaz uma fiscalização rigida na mídia exterior "outdoor". Depois de um tempo proibirão esse tipo de midia alternativa e profissionais buscarão uma brecha. Isso não acabará nunca.


  • Quarta-feira - 24/01/2007 | h09:59 isaias acylino

    Nem os próprios autores estão convencidos do que estão dizendo é tudo jogo de palavras. Nem tudo que é inédito é bom ou bonito de se ver. Nem tudo que se pode fazer é conveniente. Pessoal temos grande responsabilidade com a educação. Presta atenção!


  • Quarta-feira - 24/01/2007 | h09:51 Reynaldo Barros

    É lamentável... sujar com criatividade!!! E ainda tem gente que apoia!!!


  • Quarta-feira - 24/01/2007 | h09:39 Cleber dos Santos Rodrigues

    É a publicidade sugando a arte urbana pela sua veia meramente capitalista. Não vejo nada de novo nisso... Qualquer funilaria ou auto-peças dos grandes centros já utiliza o grafitti (ou aerografia, como prefiram) há anos. E o ínicio dessa ruptura pós-letreiroman foi criativo, não essa "onda" de se disponibilizar stickers bobos pra download e msn. Por fim, enquanto esse pessoal que se diz criativo acham que estão indo, a verdadeira arte das ruas (e para as ruas) estão voltando.


  • Quarta-feira - 24/01/2007 | h09:27 Caroline Barbarioli

    A Sony Ericson há tempos mantêm grafites nas ruas, mas o trabalho é tão bem feito que passa despercebido. Com certeza vai direto para o inconsciente do consumidor. Quem nunca percebeu, repare no muro laranja na Av. dos Bandeirantes quase no cruzamento com a Rua Ribeirão Claro. Mídias deste tipo agora são alternativas para a mídia exterior em São Paulo.


  • Quarta-feira - 24/01/2007 | h07:52 Maykon Maciel Barbosa

    Bom com a retirada da maioria dos outdoors sabemos que era a inovação e a criatividade que iriam "sobreviver", mas o que ainda deixa uma "pulga atrás da orelha" é a questão da poluição visual. Sou estudante de Publicidade e vejo que a boa intenção (que no inferno tá cheio por sinal) da prefeitura de São Paulo vai se perdendo, pois a criatividade não tem fim... ah tb gostei da campanha tanto da cachaça qto do celular.


  • Quarta-feira - 24/01/2007 | h12:39 Ederson Manoel de Oliveira

    Interessante alternativa, porém não podemos desvalorizar os artistas que expressam sentimentos e valorizar os artistas do capitalismo, cujo as marcas vão utilizar na implementação de suas idéias consumistas. Nada contra, apenas uma visão de um estudante de Publicidade.


  • Terça-feira - 23/01/2007 | h10:42 Douglas khozam

    Contanto que nao estrague o trabalho de outros artistas, (o que muitos que fazem uso dessa técnica de marketing costumam fazer) acho que é uma ótima ideia intervir um pouco com a cidade. Desde que sejam de bom gosto!


  • Terça-feira - 23/01/2007 | h10:09 Alexandre Silva Muramoto

    Sacada genial!!! Posteriormente, vai ser quase impossível não fzr um link entre os castazes e a marca Motorola.




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