Em Pauta - Agência & Criação

Abap ataca perda de rentabilidade das agências

Enquanto isso, revisão nas regras do Cenp esteve na pauta da reunião da Fenapro, em Salvador

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Por Alexandre Zaghi Lemos
21 de Setembro de 2007 às 15:00

Um dos principais assuntos da reunião nacional da Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap), realizada nesta sexta-feira, 21, em Belo Horizonte, Minas Gerais, foi o processo de revisão do texto que sustenta o Conselho Executivo das Normas-Padrão (Cenp).

O presidente da Abap, Dalton Pastore, abriu o encontro relatando aos demais membros da diretoria nacional e aos presidentes dos capítulos regionais o andamento dos trabalhos do Comitê de Revisão do Cenp.

"Não somos reacionários, nossa profissão exige que sejamos revolucionários", frisou Pastore para reafirmar que as agências não se opõem à revisão das normas-padrão, embora reconheça que houve uma mudança de planos na entidade após o processo ter se tornado público. "Os integrantes do Comitê haviam decidido tratar o tema sigilosamente para não gerar uma enorme expectativa em todo o mercado. Como o processo se tornou público, tivemos que explicar a todos o que está acontecendo", relata Pastore, referindo-se às declarações do presidente da ABA, Ricardo Bastos, publicadas por Meio & Mensagem, em sua edição de 3 de setembro.

No encontro, Pastore pediu aos presidentes dos capítulos regionais da Abap que consultem suas bases sobre as mudanças que consideram necessárias nas normas-padrão. Segundo ele, o ponto fundamental para as agências é a perda da rentabilidade sofrida nos últimos anos. "Fomos obrigados a transferir parte da comissão sobre veiculação para os anunciantes. Entretanto, eles querem mais. Não entendem o perigo que a dramática perda de rentabilidade das agências representa para a sustentação de toda a indústria da comunicação. Neste ponto há um conflito de interesses", reconhece Pastore.

Segundo ele, o Comitê de Revisão do Cenp não está discutindo temas relativos à bonificação de volume (BV). Mesmo assim, as agências fazem a defesa da manutenção da prática, tratando-a como sendo um plano de incentivo oferecido pelos veículos, como tantos outros praticados pela economia nacional. "O único crime do BV da publicidade é sua transparência, pois está regulamentado pelo Cenp", sustenta.

Por outro lado, Pastore reconhece que a remuneração de agência é um tema mal resolvido no Brasil. "Há dúvida se quem paga a agência é o anunciante ou o veículo. Se for o cliente, é preciso resolver quem vai fazer para os veículos o serviço que as agências lhes prestam hoje e que é um dos responsáveis pela independência editorial da mídia brasileira, que tem sua receita captada por mais de quatro mil agências espalhadas pelo País e, por este motivo, não precisa se render a pressões de nenhuma delas nem de seus clientes", salienta Pastore.

Fenapro discute Cenp
Ao mesmo tempo, a revisão nas regras do Conselho Executivo das Normas-Padrão (Cenp) esteve na pauta da reunião da Federação Nacional das Agências de Propaganda (Fenapro), realizada em Salvador, na Bahia, nesta quinta e sexta-feiras, 20 e 21, com as presenças de sua diretoria nacional e de presidentes de Sindicatos Estaduais das Agências de Propaganda (Sinapros). "Discutimos o que gostaríamos de ver alterado e quais serão nossas contribuições, a serem levadas ao Comitê de Revisão do Cenp. A Fenapro e a Abap estão atuando de forma alinhada neste processo", ressalta Saint'Clair de Vasconcelos, vice-presidente da Fenapro e sócio da Contexto Propaganda.

As agências têm direito a duas cadeiras entre as seis que compõem o Comitê de Revisão, também integrado por dois anunciantes e dois executivos de veículos. Os representantes das agências são Bob Vieira da Costa (da NovaS/B, pela Abap) e Antonio Lino Pinto (da Talent, pela Fenapro).

Segundo Vasconcelos, a maioria das alterações nas normas-padrão foi proposta até o momento pela Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), entidade que provocou o atual processo de revisão. "Estamos apresentando aos presidentes dos sindicatos estaduais as reivindicações da ABA", informa Vasconcelos.

A Fenapro também aproveitou a reunião para lançar oficialmente as novas marcas da entidade e dos sindicatos regionais. Elas foram criadas pela agência paulistana Contexto, com o objetivo de modernizar a imagem das instituições e instituir um único padrão visual em todo o País.

Leia também:
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Comentários
  • Segunda-feira - 24/09/2007 | h12:40 clayton tenório

    Remuneração das Agências, uma pauta que se arrasta.




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