Em Pauta - Agência & Criação
DM9DDB extingue vice-presidências
Julio Andery e Rodolfo Sampaio deixam a agência; criação passa a ser dividida em três núcleos distintos
O presidente da DM9DDB, Sérgio Valente, anunciou nesta quarta-feira, 6, o novo modelo operacional da agência. Todas as vice-presidências foram extintas. Julio Andery e Rodolfo Sampaio, até então vice-presidentes de criação, deixam a empresa. A área, agora dividida em três núcleos, cada um deles comandado por três diretores, passa a responder diretamente a Valente.
Os demais vice-presidentes serão mantidos em novas diretorias. Paulo César Queiroz e Alcir Gomes Leite passam a responder como diretores executivos. Mônica de Carvalho, que era vice-presidente de mídia, ocupa agora a diretoria-geral de business. Cynthia Horowicz, até então vice-presidente de planejamento, permanece como diretora-geral de branding.
"O meu objetivo foi o de diminuir os degraus entre a presidência e a tropa da agência", resume Valente, para quem a indústria global da publicidade está se verticalizando, o que acarreta duas práticas nocivas: a instituição de muitos filtros de "desaprovação" de idéias - "coisas boas se perdem no caminho" - e a burocratização dos processos internos das agências.
A opção de Valente pela horizontalização gerou um organograma "mais funcional", no qual "a função é mais importante que o cargo", baseado no tripé que, segundo ele, sustenta toda a agência: projeto, produto e produção. No ramo de projetos estão as áreas de branding, de business e de relação com os clientes. Neste último caso, as três diretorias gerais de atendimento se transformam em diretorias gerais de núcleo de clientes, mas continuam sob o comando de Maristela Pati Correa, Anna Paola Teixeira e André Silveira.
A área de produto engloba a equipe de criação, que passa a ser comandada por três tríades formadas por um redator, um diretor de arte e um profissional interativo, todos com status de diretores de criação. Apenas um dos três trios está completo: Renata Florio, Rodrigo Almeida e Moacyr Netto, que estão à frente dos trabalhos para marcas como as da Whirlpool (Brastemp, Consul e KitchenAid).
As outras duas ainda têm vagas as cadeiras interativas: André Pedroso e João Mosterio, com uma pegada mais varejista, cuidarão de contas como a do Ponto Frio; e Guilherme Jahara e Marcelo Reis irão comandar a criação para um grupo de clientes que inclui a Ambev.
A única exceção é a conta da C&A, para a qual se mantém o sistema anterior sob direção de criação de Ricardo Tronquini, que, eventualmente, poderá acionar um dos trios de diretores para auxiliá-lo em campanhas mais complexas.
"A interatividade está em todas as mídias, portanto, o raciocínio digital deve ser inserido em todos os projetos. A divisão entre on e offline é coisa velha", sustenta Valente, que mantém ligado diretamente a ele o Grupo de Convergência, criado em fevereiro, com a missão de buscar a "ignição" da agência com o futuro. Os profissionais multidisciplinares por ele recrutados estão focados na busca de inovação em ações de marketing, guerrilhas, eventos, redes sociais, mobile e digital. "Este grupo é o embrião da próxima mudança da DM9, que eu ainda não sei qual será", acredita Valente.
Completando o novo organograma, a antiga área de RTV foi transformada em diretoria de produção EGI (referência a trabalhos eletrônicos, gráficos e interativos), mas permanece sob o comando de Gilberto Pires, o Gibinha.
"Considero que em time que está ganhando se mexe para se ganhar mais. O melhor momento para se pensar diferente é quando as coisas vão bem", garante, referindo-se ao desempenho financeiro da DM9DDB e também à performance em prêmios internacionais - ele comemora menções no Clio (5 finalistas), no One Show (11 finalistas) e no 34º Anuário do CCSP (1 Ouro, 1 Prata, 2 Bronzes e 21 Anuários).
Valente frisa que desde o início do ano a agência contabiliza seis novas contas: Telhanorte, Ponto Frio.com, KitchenAid, OdontoPrev, Contigo (Editora Abril) e toda a verba interativa da Whirlpool (marcas Brastemp, Consul e KitchenAid). Além disso, teria fechado o primeiro quadrimestre com resultado - não revelado - melhor que o do mesmo período do ano passado.
"Só a minha fé em um projeto como este, que tem apenas dois degraus entre o criativo que cria e o presidente da agência, me fez abrir mão de dois talentos que muito contribuíram para a DM9DDB nos últimos anos", frisa, referindo-se a Julio Andery e Rodolfo Sampaio.
Valente garante que as duas saídas não foram decididas para cortar gastos. "Nossa máquina está azeitada após os ajustes realizados no decorrer do ano passado, que diminuíram o total de funcionários de 360 para cerca de 300", contabiliza.
Contratado em outubro de 2005 como diretor de arte, para fazer dupla com o próprio Sérgio Valente, Andery estava na vice-presidência de criação da DM9DDB desde julho de 2006. Andery acumula 26 anos de carreira, iniciada quando tinha apenas 15 anos, como aprendiz de estúdio na Young & Rubicam. Além da própria Y&R (da qual se tornaria diretor de arte em 1989), tem passagens pela Fischer América, F/Nazca, Lowe (como vice-presidente de criação) e AlmapBBDO (em duas ocasiões: de 1996 a 1999 e de 2004 a 2005).
Sampaio ocupava a vice-presidência de criação da DM9DDB desde março de 2007, quando chegou à agência vindo da Publicis, onde atuou como redator por dez anos, sendo os dois últimos no cargo de vice-presidente nacional de criação. Desde então, ele e Andery vinham dividindo o comando da área.







Comentários
Quinta-feira - 07/05/2009 | h08:24 lenilson lima
Uma agência que abre mão de profissionais como o Júlio e o Sampaio só corrobora com a sensação de que estamos mais perdidos do que cego no meio do titoteio. Essa coisa de "reformulação" não foi inventada pelo Valente, mas parece que há uma necessidade nas agências de mostrar o "novo", a "virada", o "caminho" ideal nos dias que correm. O "novo" não se inventa, se aplica no dia-a-dia e não demitindo profissionais talentosos.