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Gripe A e lei antifumo desafiam mercado de eventos

Entidade aponta que o impacto da chamada gripe suína foi maior do que o gerado pela crise econômica. Mas agências especializadas não sentem efeitos diretos. Sobre a legislação contra o cigarro, elas acreditam que a questão se limita à adaptação

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Por Aline Bellatti Küller
21 de Agosto de 2009 às 16:02

Depois da crise econômica mundial, o mercado de eventos tem de lidar com dois assuntos que movimentam discussões entre a população e que podem prejudicar negócios e afetar o crescimento do setor. São eles: a gripe suína e a lei antifumo, que entrou em vigor no dia 7 de agosto, no estado de São Paulo. A medida teve uma versão similar aprovada no Rio de Janeiro sancionada na terça-feira 18. E outros estados estudam adotar regras parecidas.

Para Ricardo Ferreira, presidente do capítulo brasileiro da Meeting Professional International (MPI), entidade mundial que trata da organização de eventos, o impacto da gripe suína no setor foi maior do que o gerado pela própria crise. Diretor da Alatur Viagens e Turismo, ele diz que 18 eventos no exterior foram adiados por tempo indeterminado.

Ferreira afirma que os primeiros cancelamentos aconteceram no segmento de cruzeiros, que sofreram com casos de pacientes infectados pela doença a bordo. Porém, os cancelamentos massivos foram nas atrações realizadas no México, principalmente Cancun, e em Buenos Aires, na Argentina. Os argentinos, por sinal, sentiram o impacto da gripe suína em uma das suas atrações mais tradicionais: os espetáculos de tango. As casas de dança sofrem com a ausência dos turistas estrangeiros e registram queda de 70% no número de presentes durante os shows.

O presidente da MPI brasileira revela que o mercado nacional teve reflexos menores, mas também foi atingido pela nova gripe. Ele acredita que o cenário melhore somente quando o vírus A H1N1 deixar as manchetes dos jornais e as pessoas retomarem suas atividades normalmente. "Talvez demore entre dois e três meses para a situação se estabilizar", estima.

A opinião de Ferreira não é a compartilhada por algumas das principais agências de eventos no Brasil. Fernando Figueiredo, presidente da Bullet, afirma que a doença não afetou diretamente os negócios. Ele conta que a Bullet teve apenas dois eventos cancelados, que ainda estão sem locais e datas confirmadas para a realização.

Helder de Castro, diretor-geral da Total On Demand (TOD), revela que a expectativa da empresa é um crescimento de 45% em eventos neste ano. Pelo fato de a agência ter os eventos corporativos como ponto forte, Castro acredita que não terão grandes prejuízos. "Só mudam os cuidados. Tomamos algumas medidas de adaptação, privilegiando lugares abertos e de proteção com o nosso staff de montagem também", afirma.

Para a TV1 Eventos, o ritmo também continua aquecido. Marcelo Fabian, diretor de operações da empresa, disse que a solução é não propor negócios em localidades de risco, com alta incidência de casos da gripe, como Porto Alegre e Buenos Aires, para preservar os funcionários e clientes. A agência não tem nenhum evento agendado para esses lugares e todos seus compromissos estão confirmados, assim como a perspectiva de crescimento.

Projetos permanecem igualmente inalterados no caso da 360º. É o que diz Marcos Lacerda, sócio da agência. "Temos três projetos de feiras para setembro e estão todos mantidos. Os clientes não mudaram a programação", explica.

Já Iron Gomes Guimarães, diretor de produção Tudo Eventos e Conteúdo, admite que houve queda nos eventos de endomarketing. Isso devido às recomendações do RH das empresas. Em contrapartida, o profissional afirma que os eventos dirigidos ao público cresceram.

Quanto à lei antifumo, todas as agências são unânimes em afirmar que a medida não teve influência, pois já trabalhavam com restrições ao cigarro e apostavam em espaços abertos destinados aos fumantes. Os executivos acreditam que é uma questão de adaptação, assim como aconteceu com a Lei Seca, mas que não deve se refletir nos negócios.

Independentemente disso, na quarta-feira 19, a Advocacia Geral da União (AGU), que defende a União em ações no Supremo Tribunal Federal (STF), considerou a lei antifumo do Estado de São Paulo inconstitucional. Quem assina o documento é José Antonio Dias Toffoli. Ele afirma que apenas o governo federal tem competência para legislar o uso de cigarros em ambientes fechados. Ainda não existe previsão de quando o caso será julgado.

Comentários
  • Sábado - 22/08/2009 | h09:26 Francisco Gomes

    Além de pedra, coice! Tá difícil mesmo...




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