Em Pauta - Marketing & Negócios

Maurice Levy sugere empreendedorismo contra crise

Para o CEO do Publicis Group, é preciso sair da zona de conforto, agir e tomar iniciativas

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Por Alexandre Zaghi Lemos
11 de Março de 2009 às 19:11

O entusiasmo de Maurice Levy, CEO do Publicis Group, com as oportunidades geradas pela crise econômica global está lhe rendendo má fama de gostar de recessão. "Não chega a tanto", corrige ele. Entretanto, Levy afirma que realmente o momento é de oportunidades para aqueles que "ousam agir e tomar iniciativas".

"Em momentos de recessão, o importante é empreender. E empreendedorismo exige assumir riscos", ressaltou em sua apresentação na conferência anual da Federação Mundial de Anunciantes, que ocorre nesta quarta-feira, 11, em São Paulo.

Para ele, os consumidores estão sendo inundados com más notícias. "As pessoas estão rodeadas de incertezas, com medo de perder o emprego. E, como se diz, o medo não é bom conselheiro", frisa.

Sua receita para as empresas driblarem este sentimento é o de buscarem as soluções em seus próprios DNAs. "É preciso encontrar os diferenciais da empresa e suas vantagens competitivas. Assim, pode-se reinventar a oferta e tomar decisões outrora inesperadas para tirar proveito do 'potencial oculto' expresso pelo share do concorrente", exemplifica, recomendando objetivos mais ambiciosos.

Já para o vice-presidente mundial de marketing corporativo do McDonald's, Johan Jervoe, as empresas devem agir como atletas para enfrentar a crise. "Temos que fortalecer nossos músculos, correr mais, levantar mais peso e nos exercitar mais", indicou.

No que diz respeito especifivamente à comunicação, Levy alertou que não se pode olhar a imagem de marca e o esforço de vendas como coisas distintas. "Todas têm que contribuir para o faturamento da companhia", sugeriu.

No caso específico do Publicis Group, Levy disse que a decisão da companhia havia sido a de se "concentrar no mundo digital", pois é para lá que aponta o futuro. "Entretanto, quando a crise começou, tivemos que mudar a avaliação dos negócios. Deixamos de nos posicionar como um provedor de serviços de marketing para focar na criação de valor, idéias imaginativas e conexões para as marcas", ressalta, afirmando que houve uma dramática alteração no modo como a companhia atende seus clientes.

"Temos que pensar que, com a economia estagnada, cada anúncio tem que gerar valor para o cliente. Além disso, precisamos eliminar tudo o que não for indispensável. Deixe de lado a sofisticação desnecessária e vá direto à essência", ressalta, acrescentando que o momento é de soluções acessíveis e, em alguns casos, de volta ao que é básico.

O entendimento das necessidades dos consumidores e a oferta de produtos que de fato agreguem valor à vida das pessoas também foi defendida por Bernhard Glock, vice-presidente mundial de compra de mídia da Procter & Gamble e presidente da WFA.

Ele sugeriu que a simplificação chegue, inclusive, ao "processo decisório", de modo a "liberar o investimento necessário para financiar o crescimento e a inovação".

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