Em Pauta - Digital

Petrobras escolhe agência interativa pelo menor preço

A gaúcha W3haus ofereceu R$ 1,1 milhão e levou a conta da estatal

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Por Alexandre Zaghi Lemos
02 de Setembro de 2008 às 18:53

Apesar dos esforços da Secom em disseminar melhores práticas para as concorrências por contas públicas, com seus editais que privilegiam a combinação entre propostas técnicas e de preço, algumas estatais ainda mantêm seus leilões do gênero "quem dá menos".

Depois de a Caixa Econômica Federal ter realizado pregão eletrônico em abril (veja aqui), no mês passado foi a vez de a Petrobras contratar uma agência digital pela modalidade de menor preço para a manutenção, criação e produção de sites. Não houve apresentação de estratégias de comunicação ou de peças interativas, somente os envelopes com as propostas de preço.

A estatal convidou oito empresas para a disputa. Com exceção da Hello, as outras sete apresentaram propostas que variaram de R$ 3,2 milhões a R$ 1,1 milhão - quantia ofertada pela vencedora, a gaúcha W3haus. As demais concorrentes, pela ordem do menor para o maior preço foram: Sirius (atual detentora da conta), Tribo, Lov, F.biz, Plan B e Sinc. Outras duas digitais têm contratos vigentes com a Petrobras: AgênciaClick e TV1.

O maior problema deste tipo de procedimento, segundo especialistas atuantes no mercado de mídia interativa, é que na ânsia de vencer a disputa, muitas agências oferecem preços que não cobrem as exigências do edital. A proposta vencedora considera valores de homem/hora bem inferiores aos praticados pela média do mercado, como R$ 33 para diretores de criação, R$ 15 para redatores e R$ 17,80 para programadores.

No caso da Petrobras, o contrato de um ano, prorrogável por mais um, envolve a mensuração de resultados dos projetos, manutenção de profissional de atendimento locado no Rio de Janeiro e equipes dedicadas aos oito sites atuais da estatal (global, Brasil, Bolívia, Japão, Colômbia, Estados Unidos, relacionamento com investidores e Spacio 1, este último em desenvolvimento), incluindo tradutores para línguas inglesa e espanhola.

Comentários
  • Terça-feira - 09/09/2008 | h09:50 marcello azevedo

    Concorrencia por preço é um absurdo que só privilegia as empresas estatatais e PROSTITUI o mercado das agências interativas. Infelizmente essa prática vem sendo exercida pelos setores mais privilegiados do governo. Se o mercado fosse unido, seria contra esse modelo NADA CRIATIVO de avaliar uma agencia.


  • Quinta-feira - 04/09/2008 | h03:15 Alexandre Zaghi Lemos

    Reproduzo aqui correspondência recebida da assessoria da W3haus: "A W3haus gostaria de salientar que a empresa segue todas as regras de boas práticas de mercado, oferece um trabalho de qualidade para seus clientes e atende perfeitamente o escopo definido pela Petrobras para a presente licitação. Gostaríamos também de complementar a matéria com mais informações. O texto não cita que a proposta da atual detentora da conta, com sede no Rio de Janeiro, era apenas 5% acima da apresentada pela W3haus, o que esclarece não se tratar apenas de uma questão de custo, mas sim da combinação entre proposta, expertise, custo e capacidade técnica. A licitação foi feita por meio de carta convite. Somente agências com capacidade comprovada pela Petrobras foram convidadas. No caso da W3Haus, essa capacidade foi comprovada durante a execução de dois projetos online, durante o ano de 2007, para as unidades da Bacia de Campos e Espírito Santo".


  • Quarta-feira - 03/09/2008 | h02:55 Cristiane Bussab

    Honestamente, eu nao sei o que está pior, se são as agências que baixam o preço a qualquer custo, ou as agencias que se utilizam de suas bonificacoes para oferecer trabalho e midia de graca para o cliente em troca da conta. O mercado esta comecando a perder o bom senso.


  • Quarta-feira - 03/09/2008 | h11:24 Marcelo Sant Iago

    Infelizmente esta prática está se disseminando e já chegou no mercado de search marketing. O banco Santader fez uma concorrência nesses moldes há poucos meses. Por isso é importante a disseminação da cartilha de boas práticas para seleção de agências criada pelo IAB.


  • Quarta-feira - 03/09/2008 | h11:03 Alexandre Zaghi Lemos

    Geovane agradeço por sua interação, com o comentário (abaixo) sobre a reportagem que escrevi. Faço apenas uma correção: o meu texto não diz "que é importante a apresentação de alguma peça" neste momento da concorrência; apenas informa que não houve elaboração de estratégias de comunicação ou de peças interativas (como ocorre nas licitações de técnicas + preço). Grande abraço.


  • Quarta-feira - 03/09/2008 | h08:32 Geovane Gonçalves Rodrigues

    Quando comecei a ler a matéria fiquei com a sensação de que havia alguém com dor de cotovelo por ter perdido a conta. Já no final a matéria ficou bem claro alguns detalhes do contrato (atuação de profissionais em outros estados e outros países por exemplo) que requerem um investimento muito maior, e realmente é possível que a escolha infelizmente tenha ficado apenas no preço, o que é lamentável. Discordo do Alexandre que é importante neste momento a apresentação de alguma peça, ao meu ver não faz sentido pois o que realmente contará será uma proposta técnica e uma outra estratégica. Escolher pelo mais "bonitinho" pode nem sempre será o melhor. De qualquer forma acredito que as empresas selecionadas são todas competentes, agora é esperar o resultado.




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