Em Pauta - Agência & Criação

Sérgio Valente lamenta "sucessão de erros"

Em entrevista ao Meio & Mensagem, presidente da DM9DDB, disse que irá rever processos de aprovação e produção de campanhas

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Por Alexandre Zaghi Lemos
04 de Setembro de 2009 às 10:33

Tudo que a DM9DDB não gostaria de enfrentar na semana que antecede sua comemoração de 20 anos é a atual polêmica internacional desencadeada pela divulgação de um anúncio e um filme criados para a WWF.

A campanha usa o fato do tsunami asiático ter matado mais gente que o ataque as torres gêmeas do WTC, com a finalidade de alertar a população para os problemas ambientais.

Este teor despertou a ira na imprensa dos Estados Unidos, por referência desrespeitosa aos atentados de 11 de setembro de 2001 - justamente às vésperas de se completarem oito anos da tragédia. Além disso, foi muito criticado o erro conceitual das peças, já que a causa do tsunami não está relacionada a destruição da natureza pelo homem.

Desde terça-feira, 1, DM9DDB e WWP já emitiram cinco comunicados oficiais que variaram de pedidos de desculpas a tentativas de se eximirem de responsabilidades. Entretanto, seus textos imprecisos acabaram alimentando a polêmica (veja aqui a íntegra de todos eles).

"Houve uma sucessão de erros e de inexperiência", reconheceu o presidente da DM9DDB, Sérgio Valente, em entrevista ao Meio & Mensagem.

Depois de começar a semana muito animado com os preparativos da festa de 20 anos da DM9DDB, ele teve que mudar completamente o rumo de sua agenda, abatido pelo "tsunami" provocado pelas reações à campanha criada pela agência.

"Ficou claro que nós precisamos ter atenção redobrada nesta época em que a internet faz tudo ser tão intenso, com uma velocidade surreal", afirmou.

Segundo Valente, além das lições tiradas do episódio, haverá também uma consequência prática no comportamento da agência. "Já determinei que seja revisto todo o nosso processo de aprovação e produção de campanhas, que tem de ser mais cuidadoso", garantiu.

Nesta quinta-feira, 3, após falar à reportagem do Meio & Mensagem, Valente divulgou uma carta pessoal com um novo pedido de desculpas e o reconhecimento que o anúncio e o filme "jamais deveriam ter sido aprovados por alguém nesta agência, nunca deveriam ter sido propostos ao cliente, veiculados em qualquer lugar ou sido submetidos a prêmios" (leia a íntegra abaixo).

Segundo a agência, o anúncio "Tsunami" e o comercial "Aviões" foram veiculados apenas uma vez e inscritos em festivais internacionais. A peça impressa chegou a receber diploma de Merit (o equivalente a um finalista) no One Show, mas este prêmio foi cancelado nesta semana a pedido da própria DM9DDB e já não consta mais no arquivo do evento.

Anúncio e filme também foram enviados ao Festival Internacional de Publicidade de Cannes, conforme revelou o M&M Online (veja aqui), mas não chegaram a ser incluídos nos short lists de Press e Film. Segundo a agência, esta teria sido a única inscrição em prêmios do comercial. A DM9DDB voltou de Cannes neste ano com o título de Agency of the Year, por ter sido a que mais pontos somou nas áreas de Film, Press, Outdoor e Radio.

A festa de 20 anos da DM9DDB está mantida para a próxima quarta-feira, no Jockey Club de São Paulo, para aproveitar a coincidência da data: 09/09/2009. Está marcada para as 09:09 PM.

Leia a íntegra da carta escrita pelo presidente da DM9DDB, Sérgio Valente:

Como presidente da DDB Brasil, peço pessoalmente desculpas pelo anúncio e pelo filme "Tsunami" criados para o WWF-Brasil. Esse trabalho foi desenvolvido por um grupo de jovens profissionais da agência, buscando enfatizar o poder da força da natureza. Reconhecemos que esses - anúncio e filme - jamais deveriam ter sido aprovados por alguém nesta agência, nunca deveriam ter sido propostos ao cliente, veiculados em qualquer lugar ou sido submetidos a prêmios. Essas peças publicitárias, ainda que veiculadas uma única vez em veículos locais, acabaram por gerar consequências globais que mostram que o alcance de uma peça publicitária já não é mais apenas local. Em nome da DDB Brasil, reafirmo que esses anúncios não refletem a posição nem o pensamento da agência no que diz respeito aos acontecimentos do 11 de setembro. Ao cliente e a todos que se sentiram direta ou indiretamente ofendidos por essa campanha, em meu nome e em nome da agência, peço as mais sinceras desculpas.
Sérgio Valente
Presidente

Leia também:
DM9 inscreveu em Cannes a campanha polêmica da WWF

Anúncio da DM9DDB para WWF gera polêmica

Comentários
  • Quinta-feira - 10/09/2009 | h11:47 Rodrigo Tadeu Costa

    Não tenho nada contra a campanha, achei inclusive de bom tom, quando comparada as atitudes que a raça humana tem causado ao seu habitat. De qualquer maneira, devemos sempre pensar nos que foram lesados, e nesse caso, fica claro que isso não aconteceu; não digo só por conta dos parentes e amigos dos mortos no atentado, mas também, pelas pessoas "acusadas" ou responsabilizadas carta: "Esse trabalho foi desenvolvido por um grupo de jovens profissionais da agência, buscando enfatizar o poder da força da natureza." Agora a culpa é de jovens criativos? O que significa isso?


  • Quarta-feira - 09/09/2009 | h04:33 Marcelo Beccaro

    os dois maiores erros nao sao da DM9, mas da critica: a propaganda nunca disse que o tsunami foi obra do homem, mas que a natureza sabe ser muito mais brutal que o mais brutal dos homens. Se alguma coisa, a campanha coloca o WTC como a pior coisa que um homem ja fez. Segundo, a acao do homem pode sim causar um tsunami, ou os testes nucleares subterraneos em nada afetam a crosta? Ou os ultimos testes franceses nao foram detectados por sismografos ao redor de todo o mundo?


  • Quarta-feira - 09/09/2009 | h04:32 karol sapiro

    Sergio, Você não sabia?


  • Quarta-feira - 09/09/2009 | h03:51 Reinaldo Tragnone

    Pera ai gente, vamos encarar a real, a agência sabia o que estava fazendo e como sempre obsecada por premios que lhe rendem contas, arriscou e apelou para o chacante, faz parte do negócio. Não vamos ser moralistas agora! essa ética de agência defendendo meio ambiente é uma furada, veja quantos anuncios são criados para almentar a vendas de produtos que poluem, destroem e contribuem para o aquecimento global, pra não falar da Amazônia que esta sendo depredada e ninguem faz nada. O negócio é vender mais carros! Essa polemica toda é só assunto, vamos encarar os fatos, isso não vai mudar nenhuma conciência, porque isso está escasso no pais. Outro fato é esse pessoal que fica criticando os EUA, meu vira o disco, é a velha história do macaquinho que senta no propio rabo e aponta o dos outros. Transfira o poder dos americanos aos brasileiros pra ver o resultado......imagine o Lula no lugar do Obama....! Socorro!


  • Quarta-feira - 09/09/2009 | h02:24 celso marche

    Duas coisas me surpreenderam no texto: 1a. - " ...a internet faz tudo ser tão intenso, com uma velocidade surreal...". 2a. - "... nosso processo de aprovação e produção de campanhas tem que ser mais cuidadoso...". Uma agencia do porte e importância da DM9 se surpreende com a velocodade da Internet??? O processo de aprovação e produção da DM9 não é cuiadoso o suficiente??? Quanto mais se fala...


  • Quarta-feira - 09/09/2009 | h01:11 marco silva

    Devo dizer que não queria estar na pele do Sérgio, esse momentos são por demais duros e com marcas permanentes no presente e no futuro. Estive por uma única vez com o Sérgio, nada de negócios ou amizade, mas quero deixar meu abraço e o desejo que ele tenha força para sair desse turbilhão. abs Marco Silva Like Filmes


  • Quarta-feira - 09/09/2009 | h12:51 jorge carrero

    Novo case no mercado publicitário: O tisunami de um valente!


  • Quarta-feira - 09/09/2009 | h12:32 Cirço Alves Feitoza

    É Sergião depois que o leite caiu na areia é fácil dizer que jamais deveria ter sido aprovado, que a agência isto ou aquilo. O fato é que o anúncio foi aprovado por alguns dentro da agência e por outros do cliente. Como a agência gosta de dinheiro e o cliente também, coloca este negócio no ar, manda para os meios e veículos. Agora já foi. Cirço Alves Feitoza - Deputado Federal - PTC


  • Quarta-feira - 09/09/2009 | h11:57 Marcos S. Luiz

    Ao Sr. Gustavo Costa. Compreendo sua necessidade de se apoiar na "liberdade de opinião". Liberdade esta, que aliás, também sou entusiasta. Afinal de contas ninguém esta lhe impedidndo de opinar. O que não entendo, é o que suas considerações leigas e duvidosas sobre geopolítica tem a haver com a "sucessão de erros" admitidos pela própria DM9!? Novamente, continua confundindo "alhos com bugalhos". Lamentável. M.


  • Terça-feira - 08/09/2009 | h10:13 rogerio miranda

    Campanha boa é a da Caixa, com a musica Você não vale na nada mas eu gosto de você. Fiquei com uma dúvida: quem não vale nada é a Caixa ou os objetos e produtos do filme?


  • Sábado - 05/09/2009 | h02:09 Gustavo Costa

    Sr. Marcos S. Luiz, faz o favor de ler o comentario do Sr Anderson Lourenço, se é que consiga entender. Caso ainda esteja dificil entender. pesso que leve em consideração a liberdade de opinião aqui nesse espaço. Ja é um bom começo em sua analize da situação. G.


  • Sexta-feira - 04/09/2009 | h05:02 Anderson Lourenço

    Enfim gente, preguiça dessa história toda. Eles já pediram desculpas e boa. Só acho lamentável pessoas não aceitarem a opinião de outras pessoas. O dia que for determinado o que realmente é ético ou não ético, sem margem para dúvidas eu até posso aceitar uma "ditadura de opinião". Enquanto isso, vamos assistir os Simpsons no Brasil e achar incrível.


  • Sexta-feira - 04/09/2009 | h02:12 Marcos S. Luiz

    Ao Sr. Gustavo Costa: leia a reportagem novamente!Ou melhor, só este trecho do próprio Sergio Valente: " (as peças) jamais deveriam ter sido aprovadas por alguém nesta agência, nunca deveriam ter sido propostas ao cliente, veiculadas em qualquer lugar ou sido submetidas a prêmios". Isso não tem nada a ver com o que você acha das relações politica-economicas do mundo. Tem haver com ética e responsabilidade. PS - Existem diferencas entre "verdade" e "verossimilhança", mas você também não deve saber o que é isso. M.


  • Sexta-feira - 04/09/2009 | h01:10 Gustavo Costa

    Primeiramente, por mais estranho que possa parecer, quero parabenizar o conteúdo criativo dessas peças. Em segundo lugar acho que a repercussão negativa de tais anúncios, se refletiu apenas para a hipocrisia da nação a qual se denomina a mais poderosa do mundo. Lógico que não é nada agradável encarar os fatos de que algumas das catástrofes as quais tiveram conseqüências trágicas. Mas de fato toda reação provem de uma ação, e a campanha, no meu ponto de vista, mostra isso com muito êxito. Até quando teremos que nos desculpar por falarmos a verdade? Ou melhor, até quando teremos que nos desculpar por falar a verdade a “nação mais poderosa do mundo”?




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